Catarina Vargues Conceição – Psicóloga Clínica


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Compaixão por si

A compaixão é um alimento psicológico altamente nutritivo.

Sentirmos compaixão por nós é aceitar que temos vulnerabilidades, partes de nós mais frágeis que precisam de ser acarinhadas.

Muitas vezes, a compaixão é percebida como comiseração ou resignação. Contudo, a compaixão passa por uma atitude mais de compreensão e menos de vitimização, por uma aceitação mais activa e menos passiva.

Quando se compreende e aceita activamente, está também a abrir espaço ao conhecimento do todo.

Desta forma, permitir-se-á também conhecer aquelas partes negadas ou rejeitadas, possivelmente olhadas como estranhas ou vergonhosas.

Esta permissão é, na realidade, uma mudança. Uma mudança de quem se aproxima então do seu auto-conhecimento.

Nem sempre é fácil praticar a auto-compaixão. Nem sempre aprendemos a fazê-lo na nossa vida, podendo até evitá-la, como se de uma prova de fraqueza se tratasse.

Curiosamente, alimentar-se de auto-compaixão é olhar e cuidar mais de si, das suas necessidades e motivações, aceitar-se como ser humano tão frágil quanto capaz, tão digno de ser nas suas forças quanto vulnerabilidades.

Permita-se conhecer, compreender e aceitar como é.

Este processo é, muitas vezes, sinuoso e quando assim é, saiba que um Psicólogo Clínico pode acompanhá-lo e guiá-lo no trilho da compaixão por si.


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Tempo (para si)

Para a manutenção de uma alimentação psicológica completa, variada e equilibrada é importante o alimento Tempo para si.

Numa vida agitada, ou menos agitada, o tempo para nos recuperarmos física e psicologicamente é importante.

Provavelmente já deu por si exausto entre tarefas e compromissos do dia-a-dia, apressando o passo e olhando para o relógio numa “corrida contra o tempo”.

E ainda entre funções e papéis de ser mãe/pai, filho/a, marido/esposa, namorado/a, amigo/a, trabalhador/estudante…

Em situações de stress e ansiedade, o cansaço psicológico pode também fazer-se acompanhar de cansaço físico, já que o nosso organismo está mais activado, contribuindo para uma maior fadiga.

Nestes momentos, ou mesmo antes de estes se instalarem, pode ser importante reservar um tempo para si, um tempo para relaxar, respirar fundo, olhar em volta e desfrutar de pequenos prazeres.

Pode ser importante dedicar a si mesmo um tempo e espaço de lazer e tranquilidade que lhe permitam restaurar e recuperar o fôlego assim como a atenção consciente sobre o que está a sentir.

Desta forma, estará a revitalizar-se, ficando mais disponível para iniciar tarefas ou completar pendentes, perceber-se como eficaz e, ao mesmo tempo, mais motivado, aceitante e preenchido de si.


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Auto-aceitação

Na roda dos alimentos psicológica não poderia faltar a auto-aceitação.

Não seria possível alimentarmo-nos de integração do Eu se não praticássemos a aceitação activa de nós próprios.

Sem aceitação do todo, é como se esse todo não existisse e existissem antes partes aceites e outras partes colocadas à “beira do prato”. Por sua vez, colocar partes à “beira do prato” não permite a integração do todo que é o Eu.

A aceitação activa implica tolerar eventuais dúvidas, questionamentos ou desencontros entre as nossas emoções, pensamentos ou comportamentos face a uma mesma situação.

Por vezes, podemos simultaneamente querer e não querer. Nestas situações encontramo-nos divididos e não sabemos o que escolher.

Pode ser muito difícil lidar com estas divergências internas. Aprender a tolerá-las é dar a si mesmo um tempo de tomada de consciência e reflexão aceitante que possibilita uma tomada de decisão ponderada.

Aceitar a dúvida é também aceitar que não sabemos tudo em todos os momentos ou que em certos momentos estabelecemos metas demasiado rígidas.

Na realidade, a aceitação do questionamento ou da incongruência ajuda-nos a praticar a paciência, a auto-crítica construtiva ao invés de destrutiva, a flexibilidade de pensamento ou a aprender com o que consideramos erros.

Ainda assim, pode tornar-se muito confuso e doloroso sentir-se em divergência consigo mesmo, por vezes até como se não soubesse quem é, perdendo a motivação e o ânimo, ou entrando em guerra consigo.

A tolerância e aceitação activa de si são alimentos psicológicos essenciais. Aceitar-se nas suas divergências ajudá-lo-á a identificar as suas necessidades e a cuidar de si.

Saiba ainda que um Psicólogo Clínico pode acompanhá-lo neste processo de auto-conhecimento e aceitação activa de si.


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Auto-afirmação

Se há alimentos fundamentais à saúde psicológica e complementares à auto-estima, um desses alimentos é a auto-afirmação.

A auto-afirmação dá sabor à auto-estima. A auto-estima dá cor à auto-afirmação.

Em certas situações pode ser difícil afirmarmo-nos. Nessas situações podemos sentir-nos irritados, frustrados, tristes ou zangados.

São os nossos sentimentos e estados emocionais a comunicar-nos que não respeitámos e afirmámos a nossa perspectiva e necessidades.

Quando não nos afirmamos, tendemos a praticar a não-aceitação de nós próprios.

Outras vezes impomos a nossa perspectiva, podendo desrespeitar as pessoas com quem nos relacionamos. 

Experimente hoje afirmar-se, praticando a aceitação activa de si enquanto diferente do outro e o respeito pelo outro enquanto diferente de si.

À forma de confeccionar a auto-afirmação através da expressão da sua perspectiva, emoções e necessidades, respeitando as do outro, dá-se o nome de assertividade.

Por vezes, pode tornar-se bastante difícil agir assertivamente.

Quando assim é, de forma continuada e com prejuízos para o próprio e para os seus relacionamentos, a Psicologia Clínica pode dar uma ajuda.