Catarina Vargues Conceição – Psicóloga Clínica


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Auto-estima

A auto-estima é um alimento vital para a manutenção da saúde psicológica. A auto-estima está relacionada com o modo como nos vemos e nos apreciamos.

Alimentar-se de auto-estima é tão vital como beber água ou ter um agasalho quando está frio. Desde cedo que ouvimos que é necessário gostarmos de nos próprios. Contudo, muitas vezes, a sua presença é descurada.

Pode ser descurada em parte porque não existe (ainda) a consciência de uma voz auto-crítica severa e intransigente. Ou de uma voz crítica também ela severa da parte de outros.

A voz da auto-estima funciona então como um alimento altamente nutritivo que permite estabilizar e neutralizar excessos.

Em jeito de composição do seu prato, a questão será então: Que quantidade de auto-estima coloca nas suas refeições diárias?

Que outros alimentos associa a este? Poderá ser importante associar alimentos como uma auto-crítica mais ponderada e menos severa, a flexibilidade e a auto-aceitação.

E de que forma pode potenciar a presença deste alimento no seu dia a dia?

Por diversas ordens de razão, pode tornar-se difícil dar voz à sua auto-estima e colocá-la em prática. Quando assim é, um Psicólogo Clínico pode ajudá-lo a recuperar ou construir uma auto-estima mais sólida e presente.


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Somatização

A somatização pode ser considerada um sintoma de desnutrição psicológica.

Diz-se que somatizamos quando o nosso corpo sinaliza situações “mal resolvidas” face às quais nos culpamos ou não perdoamos, estados de stress ou ansiedade, emoções suprimidas ou que precisamos de experienciar, como a tristeza ou a zanga.

Na verdade, não existe real separação entre corpo e mente, saúde física e saúde psicológica. A saúde psicológica pode reflectir-se no estado físico, como manifestação de um todo integrado e interdependente.

Por vezes, sem que uma causa médica aparentemente o justifique, o corpo pode manifestar sinais físicos reais. Devido à activação fisiológica desencadeada pelo stress ou ansiedade, o nosso corpo fica como que desregulado e vulnerabilizado, reagindo a esta activação.

Quando assim é, o corpo expressa-se através de manifestações diversas, tais como alterações do ritmo cardíaco, dores tensionais de cabeça ou de costas, alterações digestivas, agravamento de alergias cutâneas, entre outras.

Outras vezes, a activação fisiológica prolongada pode inclusive gerar doenças diagnosticáveis, para as quais os factores emocionais poderão ter contribuído.

Assim, “dê ouvidos” ao seu corpo, recordando-se da importância de cuidar de si, física e psicologicamente.

Consciencializar-se das suas necessidades e emoções ajudá-lo-á a experienciá-las e expressá-las de forma mais adaptada, relembrando os alimentos psicológicos que possam estar em falta, neste momento, no seu “prato”.

Se for difícil fazê-lo, um Psicólogo Clínico pode acompanhá-lo neste processo de escuta activa de si.

Mais sobre somatização e temas afins


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Depressão

À semelhança da ansiedade, a depressão é uma das desnutrições psicológicas mais comuns e, ao mesmo tempo, ainda envolta em grande desconhecimento.

Fisica ou geograficamente, a noção de depressão remete para algo côncavo ou fundo. De forma semelhante, psicologicamente, a depressão caracteriza-se por um afundar, um desnutrir de motivação, auto-estima e auto-afirmação.

O deprimir caracterizado por este afundar progressivo é como um sentimento de vazio que se preenche de apatia, de desinteresse generalizado e de frequentes pensamentos de auto-desvalorização.

Muitas vezes, a depressão é confundida com tristeza. No entanto, a tristeza não é uma desnutrição. A tristeza pode ser um alimento psicológico importante.

Na realidade, a depressão pode instalar-se também pela presença de dores não doídas.

Estas dores são evitadas ou negadas e o alimento estar com a dor vai ficando em falta. As dores ou zangas não resolvidas permanecem à espera de ser atendidas, gerando sofrimento.

Este sofrimento vai retirando sentido e significado às pequenas coisas do dia-a-dia. Vai tornando a vida mais oca e desinteressante de uma forma intensa e prolongada.

Entretanto, porção a porção, talvez tenha dado por si a desligar-se do mundo, dos outros e de si mesmo.

Quando a depressão se instala, saiba que um Psicólogo Clínico pode acompanhá-lo no processo de emergir de si mesmo.

Mais sobre a depressão em Catarina Vargues Conceição – Clínica das Horas


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Motivação

No fim de cada ano, muitos são os que reflectem sobre o ano que está a terminar e estabelecem objectivos para o ano que se inicia.

Este costume nasce em parte da necessidade de nos alimentarmos psicologicamente de motivações e planos que orientem a nossa acção.

A motivação é um alimento psicológico essencial que nos move e promove a cada momento para a concretização dos nossos objectivos.

Muitas vezes, estes mesmos objectivos podem contribuir para sentimentos de frustração e desmotivação. A desmotivação que sentimos pode surgir, entre outros possibilidades, de objectivos irrealistas ou generalistas a que nos propusemos.

Assim, saiba que pode escolher objectivos mais específicos e concretizáveis.

Neste fim de ano, e porque não nos restantes dias do ano, desconstrua os grandes objectivos, transformando-os em vários objectivos pequenos.

A concretização de cada um dos seus pequenos objectivos contribuirá para a realização dos maiores, que assim só poderão existir na presença dos seus objectivos-constituintes.

Desta forma, estará a promover a sua motivação para a acção e agindo estará também a motivar-se.

Ao estabelecer objectivos recorde-se da importância de elaborar um plano sustentado para os alcançar e de o avaliar ao longo do tempo.

Esta avaliação ajudá-lo-á a valorizar as suas concretizações ou a reinventar os objectivos pendentes.

Recorde-se também que cada vez que o fizer, estará a alimentar-se psicologicamente.

Contudo, por diferentes ordens de razão, por vezes podemos sentir-nos muito desmotivados, sem objectivos ou sem força para os alcançar.

Quando assim é, um Psicólogo Clínico pode acompanhá-lo neste processo, no processo de redescoberta de si.


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Estar com o momento

Neste momento em que a maioria das pessoas se alimenta de natal, porque não falar sobre um alimento psicológico importante nesta quadra.

Este alimento contém as vitaminas de estar com a  experiência do momento.

Talvez já tenha dado por si em viagens que o levaram para momentos que não pertencem ao presente.  

Em pensamentos sobre o futuro ou sobre o passado. Em julgamentos sobre os outros, sobre o mundo ou sobre si mesmo.

Neste natal, e porque não nos restantes dias do ano, dedique-se a saborear por um momento a sua refeição.

Note a forma como se expressa ou silencia. Note também a forma como os outros se expressam ou silenciam.

Sinta o ar quente ou fresco no rosto.

Deixe-se fluir, aceitando o que de mais triste e alegre há hoje em si e em seu redor.

Esteja com os outros como se fosse a primeira vez. 

Experimente olhar com curiosidade para si mesmo. Já reparou como muitas vezes tende a pensar que não há nada de curioso ou novo em si?

Olhe mais uma vez.

Esteja (consigo) em cada momento.


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Estar com a dor

À semelhança do deixar fluir, há outros alimentos psicológicos potencialmente agri(doces), entre os quais o alimento aceitar e lidar com momentos dolorosos.

Muitas vezes tendemos a evitar a dor, negando a perda de algo ou alguém que gostamos ou a presença de algo que não gostamos.

Contudo, é vital aceitar a dor como um tempo e um espaço do qual por vezes necessitamos.

Em situações dolorosas tendemos a sentir-nos tristes e a tristeza, enquanto emoção que é, comunica-nos algo sobre as nossas necessidades.

Ouvir o que a tristeza diz sobre o que precisamos é praticar o auto-cuidado, mesmo quando este se reveste de um paladar agridoce.

Aceitar a dor é praticar a paciência consigo mesmo, não a combater ou julgar, deixando-a estar, não como quem se resigna, mas sim como quem se respeita a cada momento.

Quando a deixamos estar, estamos a deixá-la fluir até se desvanecer, revitalizando-nos para um outro momento.

Olhe e experiencie então alguma dor que traga consigo. Deixe-a estar a cumprir a função de lhe dizer o que precisa neste instante.

Muitas vezes é difícil estar com a dor, ora porque não reconhecemos o direito a sentir tristeza ora porque esta é desagradável e procuramos evitá-la. Ou ainda, entre outras, porque não queremos preocupar os outros.

Quando negamos ou mergulhamos na dor desajustadamente, estamos a bloquear-nos nela, prolongando o tempo e o espaço que esta ocupa na nossa vida.

Neste percurso, muitas vezes difícil e em particular por algum desequilíbrio na “quantidade” ou “qualidade” deste alimento, pode ser importante um apoio que o ajude a experienciar a dor de uma forma nutritiva e funcional. Esse apoio pode ser um Psicólogo Clínico.


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Auto-cuidado

E se houvesse uma roda dos alimentos psicológica?

Se houvesse uma roda dos alimentos psicológica, o auto-cuidado deveria figurar e ser tomado em várias porções diárias.

Na realidade, se por um lado é habitual falar-se dele, por outro lado parece ser bastante negligenciado. Afinal, o que é o auto-cuidado?

Por ser uma expressão abrangente, a noção de auto-cuidado pode remeter para uma série de imagens, inclusive de cuidado físico. Contudo, para além do cuidado físico, podemos aprender o cuidado psicológico.

O auto-cuidado psicológico pode passar por tomar atenção às suas emoções e necessidades em cada momento, ao perguntar-se: O que é que Eu preciso neste momento?

Está relacionado com a auto-estima, ou seja, com o valor que intrinsecamente atribuímos a nós próprios.

Quando não nos estimamos e respeitamos, tendemos a não cuidar de nós (psicologicamente e não só).

Pode escolher cuidar de si, porção a porção, todos os dias, reconhecendo e afirmando as suas necessidades.

Por vezes, por diversas ordens de razão, pode tornar-se difícil fazê-lo e, quando assim é, pode ser útil o recurso à Psicologia Clínica.