Catarina Vargues Conceição – Psicóloga Clínica


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Consumo excessivo

Vivemos na era do consumo e, por vezes, nem nos apercebemos como este pode ser fácil e instantâneo.

No entanto, quando excessivo, o consumo pode desvendar a carência de alguns alimentos psicológicos importantes.

O acto de adquirir bens, ou mais ou menos úteis, mas em excesso para as reais necessidades, leva-nos muitas vezes à acumulação, “enchendo-nos” de coisas, objectos que cumprem o propósito inicial de nos proporcionar prazer.

Não raras vezes, este prazer dá lugar ao consumo repetido, perante a dificuldade em impor limites ou, mesmo, perante a ausência de vontade para fazê-lo.

Os consumos excessivos, em frequência e quantidade, estão frequentemente associados a vivências de ansiedade, dor ou vazio emocional.

O adquirir pode ser uma forma de estimulação que, contudo, pode também dar lugar à culpa e à frustração, à manutenção da ansiedade ou dor.

Nestas, e noutras situações em que nos voltamos para o exterior, o mundo interno continua à nossa espera. Os nossos pensamentos e emoções.

Quando assim é, nem sempre é fácil fazer o movimento de regresso ao interior, ao ser e ao criar, estabelecendo limites ao ter.

Saiba por isso que um Psicólogo o pode ajudar a criar caminhos de volta até si.


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Estar com a dor

À semelhança do deixar fluir, há outros alimentos psicológicos potencialmente agri(doces), entre os quais o alimento aceitar e lidar com momentos dolorosos.

Muitas vezes tendemos a evitar a dor, negando a perda de algo ou alguém que gostamos ou a presença de algo que não gostamos.

Contudo, é vital aceitar a dor como um tempo e um espaço do qual por vezes necessitamos.

Em situações dolorosas tendemos a sentir-nos tristes e a tristeza, enquanto emoção que é, comunica-nos algo sobre as nossas necessidades.

Ouvir o que a tristeza diz sobre o que precisamos é praticar o auto-cuidado, mesmo quando este se reveste de um paladar agridoce.

Aceitar a dor é praticar a paciência consigo mesmo, não a combater ou julgar, deixando-a estar, não como quem se resigna, mas sim como quem se respeita a cada momento.

Quando a deixamos estar, estamos a deixá-la fluir até se desvanecer, revitalizando-nos para um outro momento.

Olhe e experiencie então alguma dor que traga consigo. Deixe-a estar a cumprir a função de lhe dizer o que precisa neste instante.

Muitas vezes é difícil estar com a dor, ora porque não reconhecemos o direito a sentir tristeza ora porque esta é desagradável e procuramos evitá-la. Ou ainda, entre outras, porque não queremos preocupar os outros.

Quando negamos ou mergulhamos na dor desajustadamente, estamos a bloquear-nos nela, prolongando o tempo e o espaço que esta ocupa na nossa vida.

Neste percurso, muitas vezes difícil e em particular por algum desequilíbrio na “quantidade” ou “qualidade” deste alimento, pode ser importante um apoio que o ajude a experienciar a dor de uma forma nutritiva e funcional. Esse apoio pode ser um Psicólogo Clínico.


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Auto-cuidado

E se houvesse uma roda dos alimentos psicológica?

Se houvesse uma roda dos alimentos psicológica, o auto-cuidado deveria figurar e ser tomado em várias porções diárias.

Na realidade, se por um lado é habitual falar-se dele, por outro lado parece ser bastante negligenciado. Afinal, o que é o auto-cuidado?

Por ser uma expressão abrangente, a noção de auto-cuidado pode remeter para uma série de imagens, inclusive de cuidado físico. Contudo, para além do cuidado físico, podemos aprender o cuidado psicológico.

O auto-cuidado psicológico pode passar por tomar atenção às suas emoções e necessidades em cada momento, ao perguntar-se: O que é que Eu preciso neste momento?

Está relacionado com a auto-estima, ou seja, com o valor que intrinsecamente atribuímos a nós próprios.

Quando não nos estimamos e respeitamos, tendemos a não cuidar de nós (psicologicamente e não só).

Pode escolher cuidar de si, porção a porção, todos os dias, reconhecendo e afirmando as suas necessidades.

Por vezes, por diversas ordens de razão, pode tornar-se difícil fazê-lo e, quando assim é, pode ser útil o recurso à Psicologia Clínica.


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Roda dos alimentos psicológica

Talvez em algum momento da sua vida lhe tenham perguntado: Com que frequência come legumes? Já comeste fruta hoje? 

Ou talvez se pergunte: Já bebi 1,5 L de água hoje?

É frequente ouvir-se falar em alimentos saudáveis e alimentação completa, variada e equilibrada com recurso à roda dos alimentos. 

E se houvesse uma roda dos alimentos em saúde psicológica?

À semelhança de uma alimentação cuidada, precisamos de nos alimentar psicologicamente com ingredientes vitais e nas proporções adequadas às necessidades de cada um.

Assim, para além de tomar atenção à sua alimentação, experimente perguntar-se agora:

(Alimentando-se psicologicamente) Já cuidei de mim hoje?